READING

Miley Cyrus e sua marca pessoal (I came in like a ...

Miley Cyrus e sua marca pessoal (I came in like a wrecking ball…)

Eu gosto muito de alguns programas de competição em que mais importante do que o talento em si, a personalidade e a forma como o participante se comporta e atrai atenção do público são as razões que muitas vezes definem seu sucesso ou não.

Estou acompanhando a temporada mais recente do The Voice, um desses programas em que você acompanha a evolução dos artistas, mentorados por sucessos na indústria da música como Adam Levine do Maroon 5.

Uma das novas juradas nessa 11th temporada é a Miley Cyrus. Confesso que antes do programa, apesar de saber de toda a polêmica que envolvia a sua imagem (como esquecer seu desempenho na MTV Video Music Awards com roupa de látex e dança provocativa no palco?), a Miley não era alguém que apesar de todo o barulho em torno dela me chamava atenção. Talvez por eu nunca ter ouvido suas opiniões ou assistido a uma entrevista.

Entretanto, desde o início do programa ela capturou a minha atenção. Por sua postura, espontaneidade, seu estilo e, principalmente, pelo que ela acredita e dissemina para o público em suas falas: seja diferente, não se envergonhe por ser quem você é, seja autêntico, siga o seu instinto, permaneça verdadeiro e honesto com você mesmo. Ela é o maior símbolo de disrupção e autenticidade e levanta a bandeira de que para alcançar o sucesso e para viver de forma plena é preciso ouvir a si mesmo e externalizar a sua identidade, independente das críticas.

O que eu sinto em sua fala não é algo forçado, planejado. O que sinto é honestidade, algo genuíno, vindo de alguém que se encontrou após uma mudança (drástica, por sinal) de princesa da Disney para símbolo sexual e power woman.

Muitos podem alegar que a sua mudança é apenas uma jogada de marketing para permanecer na mídia após o fim do seu papel como Hannah Montana. Claramente, era preciso crescer e levar o seu público durante esse amadurecimento. Ela sabia que o público, que durante anos foi fiel à Disney e à Hannah, estava crescendo, e ela também.  Sendo assim, Miley e sua equipe decidiram fazer um reposicionamento de sua marca, o que foi consumado na inesquecível performance em 2013.

O que no início pareceu non sense e um surto de loucura de uma artista mimada, com o futuro prestes a terminar em drogas ou bebidas como a de Lindsey Lohan e Britney Spears, o tempo mostrou o contrário. Aquela no palco era realmente quem a representava e a consistência em sua imagem e suas ações durante os anos posteriores levou Miley ao topo e a conquistar fãs fiéis em torno de sua carreira.

Existe uma clara diferença entre apenas uma jogada de marketing e o Personal Branding, ou gestão de marca pessoal. O Personal Branding é você saber sua promessa de marca e a entregar consistentemente todos os dias em tudo o que você faz. Poderia ter sido apenas uma jogada de marketing se não houvesse embasamento e alinhamento entre sua identidade e a comunicação. Se aquela apresentação tivesse sido pontual e com o passar do tempo ela apresentasse inconsistências em sua imagem e falta de propósito com essa mudança.

Mas, ao contrário, Miley é consistente e fiel à sua identidade. Ela entende quem ela é e quem ela não é e vive de forma plena sua essência. Caso contrário, seria muito difícil não cometer inconsistências e falhas e, principalmente, ser alguém bem resolvida.

Eu vejo sua performance em 2013, ano em que completou 21 anos, como um rito de passagem, em que ela quis de vez se reposicionar e afastar de vez a imagem da Hannah montana, queridinha da Disney.

O processo poderia ser gradual como o recomendado a muitos artistas ou explosivo, o que foi nesse caso. Talvez ela precisasse dessa explosão para superar os valores de marca da poderosa Disney. Sendo assim, para Miley e seu time, o MTV Awards foi o local ideal para lançar a sua nova marca.  Foi um grande risco pela grande visibilidade que a aparição proporcionaria, mas foi bem planejado, o que trouxe grandes recompensas: a partir daquele dia só se falava de Miley Cirus e não mais de Hannah. E a partir daí ela conquistou engajamento em suas mídias sociais, aumento na venda de seus álbuns e reconhecimento pela mídia.

Eu sou cada vez mais fã de personalidades em que eu consigo enxergar autenticidade, se posicionam e vivem por meio de ações consistentes seus propósitos e seus valores. E fico feliz em saber que a autenticidade vem sendo mais exigida por nós mesmos na mídia e na vida real. Quem sabe assim a sociedade deixe de nos colocar em caixas e rótulos para que sejamos mais livres e espontâneos? Essa é a minha esperança.


RELATED POST

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *