Eu sou um Empreendedor de Palco? Quando compartilhar o meu conhecimento

“Você tem muito apreço pela expertise. É por isso que não cresce mais rápido” 

Eu ouvi isso na semana passada de alguém bem próximo.

“Ju, não quero ser visto como um empreendedor de palco”, recentemente um cliente exclamou como preocupação.

E em um papo despretensioso, me perguntaram: “Será que somos muito densos para o mundo rápido digital?”

Densidade e superficialidade. Falar ou fazer. Velocidade ou Precaução.

Com o poder de rede, a democracia das mídias sociais em dar voz a todos, e com a velocidade em que as informações transitam, as dualidades se tornam evidentes. As discussões sobre o melhor modelo também. E aqueles que vivem cada uma das perspectivas levantam as suas bandeiras e fazem suas apostas, claro.

Na era do conteúdo, o que fazer com ele? 

Será que preciso ser veloz em ações e menos preocupado com a validação do conteúdo ou seu formato? Se eu for ao palco, eu não sou um empreendedor de verdade? E quem é denso ou menos veloz, não terá sucesso no mundo digital?

 

O que eu vivi 

Eu vivi as duas perspectivas. E acredito que hoje estou no meio termo, entre o campo da pesquisa e conteúdo e o campo da aplicação e da execução. Mas já tive a tendência mais para um ou para outro anteriormente.

A minha formação é acadêmica e o incentivo durante o período em estudos foi sempre voltado a ir para o campo de pesquisa. Não havia muitas opções ou tempo para explorar a atuação no mercado de trabalho, mas sim, a iniciação científica.

Aplicação do poder de observação, das teorias em testes, das metodologias, do pensamento crítico e das mensurações detalhadas.Ah, e da paciência em esperar os resultados (o que eu não tinha em sobra, confesso). Nem a delicadeza das medições exatas.

Ao optar para ir ao mercado, há um choque cultural. O importante não é criticar, ponderar, observar e, sim, fazer. Fazer do jeito certo, que provavelmente já foi descoberto. E nesse ambiente, são outras habilidades as mais utilizadas e que devem ser desenvolvidas: a comunicação e o relacionamento (já que ali somos interdependentes e precisamos uns dos outros para sermos bem sucedidos), a aplicação prática, a produtividade e a execução bem feita e veloz.

Como empreendedor (no meu caso, seja no meio de inovação ou como estrategista), podemos multiplicar por 10 vezes a velocidade com que tudo deve acontecer comparado ao mercado tradicional. E a habilidade de comunicação para engajar o time ou investidores, será bem requisitada. E, felizmente, o que a academia ensinou, também: o poder da observação do comportamento do usuário, das teorias em testes nos MVPs e metodologias ou das mensurações por meio das métricas de crescimento.

Ao ter vivido os três lados, compartilho minhas reflexões.

 

Expertise x Velocidade

“Você tem muito apreço pela expertise. É por isso que não cresce mais rápido”

Nesse ano foram mais de uma centena pessoas com as quais trabalhei em cursos e consultorias, nos bastidores.

Eu sempre quero ir mais rápido, fazer ainda mais, claro.

Mas o quanto é rápido o suficiente?

Rápido é ter feito na metade do tempo? Ou ter mais visibilidade nas redes, para essa sensação de velocidade?

Eu acho que eu sou uma boa executora. Mas confesso que a exigência da velocidade no meio online e da inovação às vezes é sufocante. Algumas coisas simplesmente precisam amadurecer para se tornarem melhores. 

Quanto ao apreço pela expertise. Eu tenho. E olha que não da maneira tradicional, que deve ser validada com décadas de estudos ou com certificados/diplomas de comprovação.

Expertise não é apenas teórica, mas principalmente prática– que não são necessariamente desenvolvida em décadas, mas com o tempo necessário para ter vivenciado e colhido resultados. 

O apreço vem pela responsabilidade com o outro e pela demanda da verdade (interna e externa).

Como ensinar, acreditar profundamente e ser o seu melhor, se não existe as certezas que a expertise traz?

Como influenciar baseado no que você não viveu, apenas no que ouviu dizer?

 

O que é a expertise, afinal? 

Ser expert é superlativo e relativo ao contexto. E necessita comparações.

Por definição, um expert é: Um perito ou especialista; pessoa cujo conhecimento excessivo a faz entender ou dominar certa área, assunto, ofício, atividade etc.

Em um meio em que pessoas possuem menor conhecimento naquele assunto, se eu posso compartilhar o que sei e o que domino para esclarecê-las, eu posso ser visto como expert.

Mas qual o nível de expertise necessário para a credibilidade? Qual a linha que ultrapassa a irresponsabilidade e o desserviço a todos?

A visibilidade se torna muitas vezes sim um atalho na tomada de decisão e um fator que abre possibilidades que àqueles com menos alcance não tem. E atalhos são atualmente cada vez mais requisitados. 

No mundo atual, a expertise pode ser construída após a conquista dessa visibilidade?

Não dizemos como empreendedores que o avião deve ser construído enquanto ele estiver voando? Que se você não tem vergonha do seu produto, é porque o lançou tarde demais?

Quem sabe não é essa mentalidade que também esteja sendo aplicado ao mundo do conteúdo? Vou lançá-lo, para validar a aceitação com o público. Depois eu valido na minha própria vivência. Ou não.

Será que o importante não é movimentar, já que tudo é tão rápido que nem é mais memorizado?

Não sei. Eu sei que todos somos experts em alguma coisa, para alguém, em algum contexto. Mas eu também sempre volto a questionar: De que forma se comportar nas redes com esse conteúdo? Qual a linha que ultrapassa a irresponsabilidade e o desserviço a todos?

 

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O medo do Empreendedorismo de Palco 

O que é valorizado no meio empreendedor são as métricas dos resultados de sua empresa. E não do impacto das suas palavras. 

Então quem foca demais em seus discursos mais do que ações, será visto como empreendedor de palco pelo meio.

E para aqueles que são autocríticos, com boas intenções, sempre irão ponderar: até que ponto eu posso ir ao palco (ou às redes sociais) sem ser rotulado como um? 

Se eu for empreendedor e estiver no palco, eu devo invariavelmente primeiro ter tido sucesso com a minha empresa. Da mesma forma, se eu for escrever um livro ou for me comunicar nas redes. Certo?

Então, não necessariamente.

O empreendedorismo de palco tem menos a ver com o fato de você querer compartilhar a sua perspectiva para o público e, sim, com as coerências entre discursos e ação.

Ou seja, se o tema da minha palestra como empreendedor é sobre “como ser um empreendedor de sucesso” e eu ainda não sou, essa será uma incoerência que trará questionamentos (a não ser que o conteúdo seja compartilhado com o objetivo de mostrar uma coletânea de observações e dados sobre pessoas de sucesso, não necessariamente a sua).

A incoerência, por exemplo, não estará presente se você quiser compartilhar o que aprendeu até o momento.Ou os seus questionamentos nessa jornada. Ou mesmo as suas observações, não necessariamente como empreendedor, mas como ser humano, cidadão, pai, filho, estudioso…

 

A sua perspectiva é importante

O que você acha que vale a pena ser espalhado e expressado, se for feito com intenção, estudos e/ou vivência, vá em frente.

Para os mais densos, não acredite que apenas a superficialidade é o que é valorizado. Todos temos o nosso espaço. O que é preciso ter atenção é a forma como o conteúdo é passado. Superficialidade é diferente de absorção e didática. Ou seja, dá pra ser denso, de forma didática e de fácil absorção.

E nunca subestime o poder da sua perspectiva.

A sua observação pode mudar mentalidades, desconstruir padrões, redefinir culturas, gerar novos modelos de trabalhos, de negócios, de pesquisas. Ela pode gerar movimento. Mudança. Impacto.

As ações tão importantes e valorizadas no meio empreendedor são fundamentais. Mas não desvalorize o seu poder de observação e da conexão de ideias. Essas habilidades nos trouxeram grandes aprendizados e inovações até aqui. E com o nosso atual acesso a informações em diferentes contextos, elas tendem a acontecer de maneira exponencial.

 

Quando subir aos palcos? 

O que é desvalorizado no empreendedorismo de palco é também o seu impacto na reputação e credibilidade da palavra empreendedor.

Já que o sonho vendido por muitos no palco não condiz com a realidade, o que acaba iludindo muitos a embarcarem na ideia (precipitada ou despreparadamente) e, ainda, acabam desvalorizando a palavra daqueles que estão há anos em suas jornadas para o sucesso.

A grande dúvida então é: quando subir aos palcos? Mesmo no “palco” do mundo online?

Ainda continuo com alguns questionamentos sobre a velocidade e a forma como os conteúdos são disseminados.

Mas eu também tenho algumas certezas:

Suba a esse palco a partir do momento em que há intenção, responsabilidade e em que se espera um retorno. Retorno para você, já que é um enorme investimento de tempo, e para o outro, já que é a atenção dele investida e de certa forma a sua mudança também.

A autoexpressão é um das necessidades do ser humano. E compartilhar conhecimento foi um dos motivos pelo qual estamos aqui.

É importante lembrar que a cada mensagem sua recebida, há um impacto positivo ou negativo na vida de alguém. Ou da sociedade. Por isso, seja intencional, e não leviano, com o que dissemina.

A expertise é relativa e a nossa perspectiva é tão importante quanto a de qualquer outra pessoa.

E para a absorção do conhecimento, senso crítico e contexto, sempre.

Faz sentido? Qual a sua opinião?

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