Como Kim Kardashian Transformou sua Marca Pessoal em Um Império de Milhões

Marcas pessoais relevantes não precisam precisam ser necessariamente famosas. E nem toda celebridade possui uma marca pessoal forte.

Para que mais oportunidades sejam atraídas para a sua marca pessoal, é preciso que ela gere engajamento e confiança.

E estas são geradas de diferentes formas: Seja porque você tem expertise em sua área de atuação e a compartilha com seu público, ou seja porque eu me identifico com você e com a sua história de vida, por exemplo.

Além disso, a confiança e o engajamento gerados não são momentâneos. Mas surgem porque existe consistência na forma como essa marca pessoal interage com o outro e na experiência proporcionada por ela.

A gestão da nossa marca pessoal envolve saber de que forma essas expectativas podem ser direcionadas a trazer benefícios e oportunidades para você e para a sua audiência, para qual você quer servir.

 

A fama é necessária?

A fama está ligada à grande visibilidade, mas esta não é um fator indispensável para ter uma marca bem sucedida. Eu posso atrair oportunidades desejáveis para mim, gerar engajamento e confiança em torno de quem eu sou e o que eu ofereço tendo visibilidade para 100 ou para 10 mil pessoas.

A grande visibilidade faz com que o seu nome seja exposto a mais pessoas, mas não necessariamente ele será relevante para atrair/converter o que você deseja ou mesmo memorável para mantê-lo como relevante na mente delas por determinado contexto.

Especialmente em um mundo com tantas opções e informações.

No caso de Kim Kardashian, ela tem o dois: a fama e a força de sua marca. E como consequência acabou atraindo muitas oportunidades – e milhões – para si. 

E podemos aprender algumas lições com ela.

 

É preciso entregar valor

Eu sempre falo que o personal branding tem como foco o valor que é gerado ao outro (a um público alvo) e, como consequência, é ele que define qual a sua reputação e relevância em determinado contexto.

E esse valor pode ser um conhecimento compartilhado, um exemplo de vida como inspiração ou mesmo o puro entretenimento.

Kim Kardashian West soube como explorar e monetizar o valor do entretenimento e, ainda, permanecer relevante por uma década na mente de milhões de pessoas.

Além disso, ela também trouxe aos holofotes a sua família, o que aumentou ainda mais o valor do nome Kardashian como marca. A família Kardashian também se tornou uma marca forte e movimentam milhões com o entretenimento gerado pelo drama de seus integrantes com personalidades tão distintas.

 

A fama pela fama

Ela por si só não define o sucesso de uma marca. Mas com toda certeza abre possibilidades para que uma marca pessoal bem posicionada, atrativa e relevante possa se destacar.

Kim em especial soube como chamar a atenção, intencionalmente ou não, para ganhar visibilidade da mídia. Entretanto, foi a sua intuição e habilidade em atrair oportunidades com os minutos de fama que a trouxe ao patamar atual, com uma marca estimada em mais de 175 milhões de dólares.

Kim conscientemente colocou o seu estilo de vida, personalidade e estilo – sem filtros e de maneira autêntica, à disposição dos olhos do público. E a forma como fez esse movimento, anos atrás, utilizando o poder das mídias sociais, foi pioneiro.

Quando a perguntam o porquê ela é tão famosa (o que o fazem, muitas vezes com o ar de incredulidade ou mesmo desmerecimento):

Kim vai direto ao ponto:

“Atuar e cantar não é a única maneira de ser talentoso. É uma habilidade para fazer com que as pessoas realmente gostem de você, em vez de um personagem escrito para você por outra pessoa. Eu tenho um programa de TV de sucesso. Nós filmamos mais episódios do que eu amo Lucy! Nós estamos no ar há mais tempo do que o Andy Griffith Show! Quero dizer, esses são shows icônicos (…). Ser capaz de abrir sua vida assim e ser assim … se todos pudessem fazer, todos fariam”. 

 

Sua história e o seu conceito de marca

VInda de uma família privilegiada, Kim tornou-se uma socialite bem conhecida e famosa por fazer amizade com Paris Hilton.

Soube aproveitar um momento de má publicidade – Kim teve envolvimento em um vídeo de sexo caseiro vazado para a mídia – para aumentar sua visibilidade e o seu perfil na mídia tradicional e em suas redes sociais. E, em seguida, foi bem sucedida ao começar um reality show com a sua família.

Kim sabe quem é a sua audiência: garotas de 15 ou 16 anos, que amam a moda, gostam de ser femininas, adoram beleza, glamour, e entende que é uma projeção para elas.

Nem toda garota pode se casar com o rapper, ir de férias para Bora Bora sempre que quiser e estar na capa da Vogue, mas Kim gerou a muitos de nós grande interesse em fugir da realidade e viver um pouco mais de perto com o seu estilo de vida absurdamente irreal e polêmico.

Com o tempo, Kim foi estrategicamente bem-sucedida ao deixar a ideia de que ela é apenas uma socialite e agora é vista como uma influente mulher de negócios e um ícone da moda de alta-costura. Hoje o seu público alvo engloba marcas e estilistas do mundo fashion.

 

Diferenciação e pioneirismo

Talvez Kim não haveria chegado aonde chegou se tivesse começado hoje na era online.

Na época, a forma como ela se colocou à disposição ao público nas redes sociais, como um livro aberto, pelo puro entretenimento, chamou a atenção.

E o visual diferente também a ajudou, ao não seguir o estereótipo visual norte-americano da tradicional socialite.

Kim também linkou o seu nome a uma tendência que estaria por vir, a arte de tirar selfies. E em 2015, publicou um livro de fotos chamado Selfish, que apresenta algumas de suas selfies mais memoráveis e as histórias por trás delas.

No livro, ela fez questão de reforçar o seu pioneirismo no assunto: “eu tirei fotos de mim mesmo com câmeras digitais quando eu estava no ensino fundamental e médio, e acabei me viciando. Eu sempre fui obcecada por selfies”. E desde o lançamento do seu livro, Kardashian sempre compartilhou dicas com os fãs sobre como aperfeiçoar a imagem em fotos.

 

Publicidade transformada em oportunidades

Kim soube como explorar a exposição, boa ou ruim, para dar seu próximo passo. Para ela, toda publicidade é uma oportunidade e a má publicidade não existe. Durante os anos seguintes, com estratégia, ela soube converter e moldar a percepção de sua marca para a direção desejada.

Tudo começou com a amizade com Paris Hilton e a sua entrada no mundo de Hollywood. Logo em seguida, o vazamento de uma fita de sexo trouxe a grande exposição que fez com que Kim ganhasse muitos seguidores, inicialmente interessados apenas nesse fato.

Kim aproveitou a grande visibilidade de suas redes sociais para atrair ainda mais a atenção da mídia, que a transformou em uma mini celebridade. Logo depois foi capaz de conquistar o seu próprio programa de TV e a posicionou de vez – junto a toda a sua família – como uma celebridade.

Kim soube como obter patrocínios e parcerias com grandes marcas em todo o mundo e alavancou seu status para ganhar milhões. 

Kardashian se mantém nos tablóides e continua a chamar a atenção da mídia. Ela garante que seja fotografada em eventos, andando na rua ou fazendo manicure.

O fato é que a sua imagem e sua personalidade são inexplicavelmente atrativas, pela autenticidade e pela representação de uma vida irreal e com preocupações que não endereçam à maioria da população.

Além do entretenimento pelo puro entretenimento com as polêmicas e o sensacionalismo comum à vida do mundo das celebridades, a curiosidade em entender a valorização excessiva da imagem como oportunidade e o estilo de vida irreal é um grande motivador que também nos levam a conectar, mesmo contrariadamente, com a marca Kardashian.

 

Monetização e Propriedade Intelectual

Kim soube como transformar a sua marca pessoal em um império avaliado em mais de $175 milhões. Além de “apenas” uma celebridade, Kim demonstrou ser uma empresária bem sucedida.

Ela é produtora executiva de Keeping Up with the Kardashians, reality show que mostra a sua vida e a vida de sua família. Possui uma marca de roupas, uma linha de fragrâncias, um aplicativo que gerou milhões de dólares, o seu livro Selfish, uma linha de maquiagem que esgotou em apenas três horas quando estreou em 2017, entre outros negócios. Além de movimentar milhares de dólares com endossos a outras marcas e publicidade em suas redes sociais.

Ela também sabe muito bem como monetizar suas falhas e momentos de fraquezas. Em vez de se esconder e se sentir envergonhada quando exposta em momentos difíceis, ela sabe tirar proveito e fazer graça de si mesma.

Kim, por exemplo, contribuiu para viralizar um meme de um de seus momentos chorando, conhecido como ugly crying face e à partir dele criou diversos produtos e mesmo emojis para o seu bem sucedido app, Kimoji.

 

Autoconfiança

Uma marca forte polariza. E uma marca forte com alta visibilidade atrai opiniões contrárias e mesmo haters.

Mesmo assim, Kim Kardashian mantém a sua autoconfiança na sua jornada em seus negócios, na sua comunicação e na sua exposição nas mídias sociais sem abalar-se. Ela entende quem ela é, qual o seu valor e a que veio fazer acontecer.

 

Família Kardashian

O reality show expôs mais um recurso que endossa a marca Kardashian com o público: a sua vida em família.

A família se tornou uma marca à parte, bem como cada uma das suas integrantes, com suas diferentes ambições, negócios e personalidades.

A história da família traz controvérsias, polêmicas e absurdos de uma vida extremamente fora do comum. Entretanto, ela é capaz de engajar e se conectar com o público por representar o cenário típico de uma família: a permanência do amor, apesar de todas as brigas e que pode ser vista em qualquer realidade, da menos à mais glamurosa.

 

A marca Kim Kardashian

A Paper Magazine fez referência a Kim como “Um fascínio da cultura pop capaz de gerar manchetes apenas deixando sua casa, Kim é o que faz a web funcionar”.

E ainda: “Ela é uma empreendedora ícone da cultura pop ou um sintoma da fase final dos males da nossa sociedade Myriad: o narcisismo, o oportunismo, a ambição desenfreada, o capitalismo sem controle”.

Atrair oportunidades (beneficiando o seu público) por ser quem exatamente é com o valor que tem a oferecer. É esse o papel de uma marca pessoal relevante.

Com a Kardashian, entendemos também que também é possível monetizá-la e ter um império extremamente lucrativo com o seu nome.

Se essa é a melhor forma, a mais sustentável, benéfica ou ética do seu uso, aí são outras as análises a serem feitas.

 

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