Quem é Você, Além do seu Crachá? 7 Passos para Você Criar o seu Pitch de Apresentação

Se você está lendo esse texto, há grande chances de que você prefere falar sobre o seu trabalho atual para um público de 200 pessoas no palco do que responder a pergunta: quem é você e qual o valor você oferece?

Talvez seja mais fácil falar sobre o que você faz ou sobre a sua posição: ah, eu sou diretor de qualidade da empresa X. Ou, eu sou o CEO da minha empresa nessa área. Ou então, eu sou nutricionista.

Sim, essa é uma saída mais simples e que aprendemos a praticar por muitos anos. Se eu vou a um evento de networking e as pessoas estão ali para fazer negócios, o que interessa é o meu crachá, certo?

Foi assim que aprendemos a associar e a definir o nosso valor: à uma posição. E nos acostumamos a ficar confortáveis com essa prática. Se eu tiro o meu crachá ou se eu não tenho uma posição atual (estou em transição, por exemplo) ou, ainda, se eu faço várias atividades, nos sentimos muito desconfortáveis em nos apresentar.

E o fazemos quase como um pedido de desculpas por não ter algo importante a oferecer ao outro.

Mas será que o meu valor se resume a uma posição?

Como se apresentar de forma bem sucedida, confiante sem precisar se apoiar no seu título?

 

1) Quem é você e qual a sua história

Quem participa dos meus cursos sabe que essa é a primeira pergunta que eu faço. E eu faço questão de reforçar: digam quem vocês são e não o cargo atual ou posição que ocupam.

E a maioria ri, sem graça ou de nervoso com a tarefa.

É difícil falar sobre nós mesmos.

Isso porque em nossas mentes não temos filtros sobre quem somos: Eu sou confiante e inseguro. Sou animado e preguiçoso. Sou calmo e ansioso. Tudo ao mesmo tempo. Ou dependendo do dia. Como vou então me diferenciar e dizer quem eu realmente sou?

Além disso, eu não paro muito para pensar sobre o que eu gosto ou sobre o que eu já conquistei. Eu estou olhando para frente, ansioso para o próximo passo ou refletindo sobre o que eu ainda não atingi.

Sendo assim, fica difícil enxergarmos a nossa história, de onde viemos, padrões que nos dizem do que gostamos ou as nossas conquistas, pessoais e profissionais, que tivemos até aqui. E se não a enxergamos, fica ainda mais difícil a valorizarmos. E, como consequência, sermos VALORIZADOS pelo outro.  

Nós temos que nos sentir orgulhosos e confortáveis sobre quem somos e o que já fizemos para que o outro também se sinta da mesma forma.

Uma dica?

Pare um tempo para pensar e liste tudo o que você é, gosta ou já fez. Por exemplo:

– Eu sou a filha mais velha entre três irmãos

– Gosto de cantar, mesmo não cantando bem

– Pisco é a minha bebida favorita

– Adoro gatos, mas tenho alergia

– Já trabalhei em um supermercado nos Estados Unidos

– Já saí em matérias de jornais na época em que tinha a minha startup

– Sou idealista, questionadora e pragmática

– Esse ano vivi em 4 países na América Latina

– Não gosto de parque de diversões

– Gosto de cidades grandes

– Já ouvi facilmente mais de 300 pitches de empresas

– Tenho minha própria metodologia em branding pessoal e passei por tudo que eu aplico hoje na prática

– Sou farmacêutica por formação

Etc

Quer dizer que eu vou listar isso tudo no sumário do meu Linkedin, na minha bio ou no meu discurso de apresentação?

Não.

Mas refletir sobre quem realmente somos faz com que tenhamos um olhar menos óbvio sobre nós mesmos e vejamos o quanto somos únicos. O quanto já vivemos, experienciamos e fizemos. 

Cada marca pessoal é única. E se estamos buscando tanto por diferenciação no mercado, porque não buscar na fonte: dentro de nós e na nossa história? 

Queremos nos relacionar, consumir, nos conectar e conviver com aquilo que é autêntico, verdadeiro, cada vez mais. E a autenticidade é ser capaz de expor e ser aquilo que realmente somos. 

Minha dica: Invista um tempo para descobrir mais sobre você. Assim você se sentirá mais confortável em não usar um crachá para se apresentar e se valorizará ainda mais, independente de onde esteja! 

 

2) Deixe de lado as palavras bonitas ou definições existentes

A nossa preocupação em achar palavras que causem um impacto ou definições pré-existentes que resumem exatamente o que fazemos, pode nos limitar a explorar outras possibilidades que tragam mais clareza a quem nos escuta.

Em vez de encontrar a definição perfeita, por que não expor o valor que você entrega por meio do que você faz? Ou, ainda, explicar o problema que você resolve por meio das suas habilidades/conhecimento?

Exemplo:

Eu ajudo empreendedores a enxergarem maneiras de gerar mais oportunidades de receita ou novos negócios analisando e explorando os dados gerados e coletados por suas empresas.

Ou, ainda:

Eu ajudo aqueles que querem se destacar e serem ainda mais relevantes em seus contextos de atuação, a entenderem que são únicos e a terem mais clareza e estratégia na forma como se posicionam e comunicam o seu valor ao mercado.

Mesmo que eu não tenha uma palavra para resumir essas atividades, eu serei capaz de compreendê-las.

Novas profissões e novas formas de atuação estão surgindo. E é normal que definições existentes não sejam capazes de explicar da maneira ideal o que oferecemos.

Nesse caso, fique à vontade para criar a sua própria. Rabisque. Rascunhe. Invente. Não existe certo e errado.

Mas lembre-se de não complicar ou enfeitar demais. O objetivo é facilitar a escolha por você. E o que é confuso, é ignorado.

 

3) Parta do pressuposto de que ninguém entende o que você faz

Sim, é bonito eu escrever que eu sou estrategista em Personal Branding. Mas raramente é dessa forma que eu me apresento para quem ainda não me conhece.

Isso porque essa definição não ajuda o meu contato a me ajudar, pois falta clareza e informações suficientes.

Um dos objetivos da gestão de uma marca é fazer com que o seu público seja capaz de replicar e evangelizar a sua mensagem, o valor que você oferece, atraindo então mais oportunidades de forma orgânica pelo poder da sua rede.

Se essa mensagem não é clara, ela não será replicada.

Muitas vezes, por vivermos e atuarmos em um mesmo contexto durante anos, perdemos a habilidade de nos colocarmos em uma perspectiva externa àquele mercado. Ou seja, lembrar que o que é óbvio para nós não é necessariamente óbvio para o outro. Por isso, sempre parta do pressuposto de que a outra pessoa não entende nada da sua área de atuação e explique com clareza o seu contexto.

 

4) Fique confortável ao falar das suas conquistas

Você não será necessariamente visto como prepotente ou aquele cara chato que se gaba a todo momento e que ninguém gosta.

É possível falar sobre suas conquistas e deixar as pessoas ao redor felizes por elas também.

Como?

Ao ser genuinamente interessado em fazer o outro ser melhor, seja compartilhando o seu conhecimento ou sendo um bom ouvinte em uma conversa, você saberá como expor os seus feitos sem se sentir mal por isso.

Se eu ajudo tanto o meu público com o meu valor, porque não mostrar que eu posso ajudar ainda mais expondo que eu tenho o que ele precisa?

É essa a lógica. Você não está se gabando. E sim, quer ser escolhido por oferecer o melhor valor para ele, porque você é capaz. E ele precisa saber disso.

 

5) O seu porquê e a sua visão

Se as pessoas que interagem com você entendem quais são as suas motivações e os seus objetivos, é mais provável que elas se interessem mais em participar ou saibam como te ajudar em sua jornada.

Reflita: Por que você faz o que você faz (ou o que vai fazer)? O que te move? Qual a sua visão, ou seja, aonde você quer chegar? E o que precisa para que isso aconteça?

Além de ser útil ter essas respostas claras em sua mente (você terá mais atenção para atrair as oportunidades certas a partir do momento em que sabe quais elas são), ao incluí-las em seu discurso, de maneira espontânea e genuína, você poderá mover pessoas ao redor em torno da sua missão.

 

6) Foque no futuro

O seu discurso deve sempre estar alinhado àquilo que você quer atrair, ao seu próximo passo. Mesmo que você ainda não saiba exatamente a sua próxima área de atuação ou não tenha muito tempo de experiência, sempre tenha em mente: se a pessoa com a qual conversa pudesse te trazer uma oportunidade, qual seria? E por que você é essa pessoa?

E então se apresente de acordo.

 

7) Pratique

Sim, o seu pitch de apresentação vai ficando melhor a cada vez. Por isso, pratique. Você não precisa decorar ou fazê-lo da mesma forma sempre, robotizada. Mas a prática te ajuda a memorizar quais são os elementos importantes de serem ditos em seu discurso.

Para te ajudar, um esquema para colocar todas as peças que você separou até aqui juntas:

Você sabe quando (problema), então que eu faço (solução). Na verdade (história, credibilidade, conquistas). O que eu quero, acredito (o seu porquê, visão). Pois é, eu sempre gostei de (interesses, paixões).

Um exemplo?

“Sabe, existe muita gente que tem MUITO valor a oferecer, seja de conhecimento ou habilidades, mas que não consegue entender de que forma expor tudo isso de forma única para o seu mercado. E, por isso, muitos perdem oportunidades e deixam de ser ainda mais reconhecidos como deveriam.

Então, o que eu faço é ajudar essas pessoas na descoberta do que elas tem de único, para então ajudá-las a se posicionarem e a comunicarem melhor quem são e o que tem de melhor a oferecer em seus mercados.

Na verdade, eu precisei me reposicionar no mercado e encontrar o meu valor, que antes estava associado apenas ao meu título/status, para então ser mais valorizada. Após resolver o meu problema e alcançar mais autonomia, liberdade e reconhecimento, eu ajudei dezenas de outras pessoas nos anos seguintes. Tenho método próprio de atuação, falo sobre o tema em palestras, ministro cursos de estratégia na área…

Eu faço o que eu faço porque eu alcancei autonomia, liberdade e satisfação ao me permitir ser quem eu sou, ao investir em minha marca pessoal e a ser valorizada por ela. E eu sei o quanto isso pode nos fazer bem. E se estamos bem, podemos fazer o outro ser melhor. Passamos (e eu passei) muitos anos ouvindo o que deve ou não deve ser feito. Como devemos e como não devemos ser na sociedade. E isso nos atrasa na conquista dos nossos objetivos e de sermos quem podemos ser.

Além disso, profissionais competentes se limitam por acreditarem que falar sobre si é algo que não deve ser feito. E acabam perdendo muitas oportunidades (e nós também) por não entregarem seu valor a mais pessoas. Se temos tanto a oferecer de valor, porque não oferecer ainda mais a mais pessoas?  

Pois é, eu também FULANO, sempre gostei (insira aqui seus interesses, gostos e paixões)…Eu acredito (filosofia, o que te move)…”

 

Faz sentido?

Não é que vamos decorar e recitar tudo isso. De uma só vez e em um monólogo. Essa é só uma forma de visualizarmos e escrevermos quais são os pontos importantes de serem mencionados em nossos discursos.

E com o tempo, eles virão naturalmente. E não precisa ser na mesma ordem e nem com as mesmas palavras.

O importante é que você fale da melhor forma possível quem você é e o que você oferece de valor para o outro.

Para que, assim, ele possa ter clareza e saber de que forma pode te ajudar e, ainda, disseminar a sua mensagem por aí.

Vamos à prática?

 

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