Sinto Dizer, Mas Ninguém Quer Ouvir a Sua História (E Agora?)

Dizer isso na era do conteúdo e do storytelling pode parecer um pouco radical ou mesmo contraditório.

Mas de maneira geral, essa é a realidade.

Quando muitos pensam sobre o branding pessoal e em investirem em suas marcas pessoais, logo imaginam estarem em um grande palco com holofotes em suas direções, em frente à uma multidão que busca saber mais sobre as suas histórias e os seus aprendizados, que foram muitos até ali.

Por mais que essa possa ser uma consequência da valorização da sua marca pessoal, essa não é nem de longe a principal tarefa/preocupação para chegar até lá.

Antes de tudo é preciso que você seja significativo em determinado contexto, a ponto de ter uma audiência que queira saber mais sobre você. E ser significativo é causar alguma transformação. É oferecer algum valor. É gerar algum impacto. É resolver algum problema. É me ajudar de alguma forma.

A partir desse momento, aí sim eu vou querer saber mais sobre você, que antes de falar sobre si mesmo, voltou o seu olhar para mim e para o que eu realmente precisava.

Observe a forma como consumimos conteúdo.

Estamos focados em nós mesmos, em nossos próprios interesses. Todos nós queremos vencer.

Buscamos então aquilo que nos torna melhores, seja através de mais conhecimento ou de inspiração, ou buscamos aqui que nos entretém, que nos distrai.

A não ser que eu já tenha alguma conexão com você ou você já seja famoso, a sua jornada não irá me interessar. Pelo simples fato de eu não entender o porquê devo investir esse tempo em você, já que eu ainda não entendi de que forma você pode me ajudar na minha jornada.

Em uma época em que todos levantam os braços e tentam chamar a atenção a todo momento, com suas jornadas do herói, entenda de que forma você pode tornar o outro melhor. Seja com o seu conhecimento, com a sua entrega ou mesmo com os seus aprendizados. E isso pode sim vir por meio das suas histórias, mas que elas sejam o meio e não o fim. Não apenas o storytelling pelo storytelling. 

Preocupe-se mais em ser relevante para o público que quer atrair e busque servi-lo da melhor maneira possível. E torne-se indispensável a ele. É disso que se trata uma marca. É ter o outro como o centro e não necessariamente você e a sua história.

Aqui eu faço uma consideração. Existe uma diferença entre valorizar a sua história e torná-la o centro da sua comunicação. Eu sempre reforço: temos que valorizar a nossa jornada, valorizar as pequenas conquistas e trazê-la sim no momento em que estamos interagindo com o nosso público, como no momento em que queremos engajá-los em torno da nossa missão, por exemplo. Ou mostrá-los porque devemos trabalhar juntos.

O que trago neste texto é a importância da inversão do olhar na comunicação de uma marca pessoal: não se trata de você, e sim do que você pode oferecer de melhor para ajudar o seu público a ser melhor. É esse o foco! Se a sua história faz parte ou te ajuda na entrega dessa oferta, ótimo! Mas que ela não seja compartilhada apenas para mostrar a sua importância. Afinal, por que eu devo me importar com você mesmo?

 

E para finalizar, algumas perguntas para que possa refletir sobre a sua comunicação e para que ela seja cada vez mais relevante no contexto da sua marca pessoal:

– Em que contexto de atuação você pode ser mais significativo? Com o que você pode melhor contribuir? E então reflita: O conteúdo que você publicou reflete essa posição?

– Para quem você quer oferecer o seu melhor, quem você quer atrair para o que você faz? E então reflita: O conteúdo que você publicou foi útil a ele de alguma forma?

– Qual a mensagem final você quer passar com esse conteúdo que publica? E então reflita: O conteúdo que você publicou ajuda, informa ou entretém alguém – de preferência o seu público?

 

 

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