Por que deveríamos confiar na marca pessoal Thiago Nigro?

agosto 1, 2019

A polêmica envolve muito mais do que a marca Thiago Nigro. 

Ela é reflexo de um discurso de desconfiança comum de ser visto nas redes sociais: “Não confie em gurus”, “Agora todo mundo é coach”, “Estou cansado de discursos motivacionais”. 

E o caso Thiago é a oportunidade da vez de validar esse pensamento e usá-lo como exemplo prático. Seja nos comentários inflamados ou nos memes sarcásticos. Essa é a nova forma de “apedrejamento” social. Sendo ele “justo” ou não. 

Descobrir o que há por trás da polêmica é o que pouco importa para muitos. Afinal, “eu só quero expressar e validar a minha verdade”. 

E, por sinal, é essa mesma linha de raciocínio que leva à disseminação das fake news como fogo de palha: sem procurar pensar criticamente sobre o assunto, a ansiedade de comprovarmos o nosso argumento, faz com que o botão compartilhar seja apertado só de ler o título da matéria. 

Qual é a marca Thiago Nigro? 

Ele é um dos maiores influenciadores em educação financeira no Brasil – e no mundo. 

Mas até chegar aqui, houve uma evolução, do seu canal e, claro, dele mesmo. 

Thiago foi do mil ao milhão empreendendo. Vendeu a participação da sua empresa, um escritório de agência de autônomos em investimentos, em 2017, e desde então passou a dedicar ao seu canal “Primo Rico”. 

A promessa inicial do canal era simples: Ser um atalho para que novos investidores pudessem obter retorno na bolsa de valores, ensinar conceitos sobre educação financeira e ajudar o brasileiro a se aposentar mais rápido, com mais qualidade, para poder aproveitar a vida o quanto antes. 

Canal Youtube Primo Rico

E ele tinha credibilidade para isso. Trabalhou durante muitos anos no mercado de investimentos, estudou muito e tirou vários certificados e também cometeu erros quando começou a investir na Bolsa. Além disso, chegou à independência aos 27 anos empreendendo no mercado financeiro.  

Quem melhor do que ele para ensinar sobre o tema a quem não tem nenhum ou pouco conhecimento? 

Ele era, sim, um atalho valioso. 

Thiago cresceu junto ao canal. Teve acesso a milionários do mundo inteiro. Teve convivência com muitos deles. E compartilhou tudo o que aprendeu no maior documentário do mundo sobre riqueza. 

Chegou, então, à conclusão de que a mentalidade é o que faz a diferença quando se trata de enriquecer. E essa vem sendo a sua proposta e o seu discurso ao público.  

Por meio dos seus treinamentos, palestras, livro e lives ele entrega o seu propósito (que ele sempre faz questão de deixar claro): 

“Eu quero ser a pessoa que mais tira gente da poupança. Eu quero ser a pessoa que mais trouxe gente para o mercado de ações. Hoje, eu quero de verdade que os primos tenham tanta liberdade quanto eu tenho”. 

Qual foi a reação do público à polêmica?

 “Poxa, eu me dediquei a te acompanhar, investi o meu tempo, te indiquei aos meus amigos, fiz parte do seu clube, e tudo isso não passava de uma mentira?”

É assim que muitos se sentiram. Ao menos, em um primeiro momento. Porque as associações feitas com as informações disponibilizadas eram: 

“Ele se diz rico, mas tem uma dívida de milhões. Ele diz que é preciso pagar suas dívidas antes de investir, mas ele não pagou. Ele diz que tem independência financeira, mas não pagou um advogado”

E, claro, existem aqueles que nunca o acompanharam e que incendeiam a discussão de forma superficial, já que querem apenas validar perspectivas sobre suas próprias realidades: 

De que todo influenciador é um charlatão, de que todos que dão cursos e ganham dinheiro online fazem à custa de enganação e de que não é possível enriquecer seguindo uma forma de aprendizado proposta por alguém. 

Ter feito uma dívida de 1,7 milhões, é uma incoerência? 

A princípio, ter uma dívida não invalida a sua credibilidade em ajudar pessoas a saírem da poupança para o mercado de ações e a conquistarem a liberdade financeira. 

Afinal, foi o que ele já cumpriu. E ele dá acesso a outras pessoas que também já cumpriram essa jornada. 

Além disso, em nenhum momento ele prometeu: enriqueça sem nunca errar ou enriqueça sem ter dívidas. 

Então, tecnicamente: não há incoerência entre o que promete entregar ao público e a sua prática/vivência/conhecimento. 

Mas e quanto ao seu discurso “É preciso honrar suas dívidas antes de investir?”

Essa é uma das verdades que o Thiago prega. É um discurso frequentemente mencionado aos seus seguidores e que ele provavelmente aprendeu durante a sua própria evolução na área. 

Talvez, ele não cometesse o mesmo erro novamente, com a mentalidade de agora. E é essa mentalidade – que ele entende como a “correta” – que ele ensina atualmente. 

Não quer dizer que um erro do passado se repetiria no presente. E não quer dizer que quem fomos no passado, é o que somos no presente. Tudo muda, constantemente. 

Mesmo assim, muitos ainda se sentiram traídos: não pelo erro do passado, mas pelo assunto não ter sido mencionado (mesmo como um aprendizado, um erro) nos seus discursos. É como se não houvesse a intenção de mostrar a parte feia da história ou a verdade por completo. 

Nós crescemos e já sabemos que não há heróis. É mais verdade que esperamos consumir das marcas. Por isso, o discurso aberto e honesto é sempre a melhor tática. 

Mas na prática pode não ser tão fácil: O preço de ser vulnerável na frente de milhões de pessoas é sempre incerto e, enquanto o assunto não vem à tona, ele é muitas vezes evitado a todo custo. 

E foi o que o Thiago fez. 

Não há mentira. Mas faltou a transparência absoluta esperada pelo público. 

E a declaração de pobreza em 2016? 

Eu conversei com uma querida amiga advogada, Thaís Costa, que me respondeu às dúvidas:

  • O que quer dizer essa declaração, afinal de contas? 

Essa é uma declaração de hipossuficiência para pedir no judiciário a justiça gratuita, não ter que pagar custas processuais e nem outros gastos no processo por ser pobre ao dizer que aquele gasto prejudicaria seu sustento e o de sua família. Caso a situação financeira da pessoa melhore, ela pode não ser mais aplicada

  • E existe uma renda máxima para se declarar a pobreza? 

Não tem renda mínima e nem máxima. Pode ser que seja necessário comprovar o prejuízo do próprio sustento e da família. Tem pessoas que ganham muito, mas gastam muito (sustentam a família, por exemplo) e tem gente que ganha pouco e gasta pouco (paga somente as próprias contas e mora com os pais que o sustentam também). É relativo.

  • E faz sentido ter uma declaração no caso dele? 

Me parece que não para 2019, com a manifestação de riqueza do Thiago Nigro. Mas não conheço a situação financeira dele em 2016 (época da declaração). Mas ela pode ser impugnada nos autos ou o próprio juiz pode indeferir o pedido.

  • Ele tinha uma empresa na época, em 2016… 

Mas isso não quer dizer que ele era rico. Ele conseguiria arcar com um processo sem prejudicar seu sustento? Depende do valor, certo?!

O Thiago vendeu a empresa em 2017 e, assim, se tornou milionário. A declaração é de 2016 e não quer dizer que ela não seja verdadeira. Entretanto, não ter arcado com os custos de advogado até recentemente foi um deslize que poderia ter sido evitado (ele o fez rapidamente após ter vindo à tona).  

Sobre impacto da sua tomada de decisão de ter emprestado o seu nome e da irresponsabilidade de não ter arcado com as dívidas

Não cabe a mim fazer essa análise ou questionamento. 

É um erro de “questão humana”, feita anos atrás, envolvendo questões familiares, com nuances que não tenho acesso, e que nada está relacionado à marca pessoal Thiago Nigro e a entrega do seu valor ao público hoje. 

A visibilidade incômoda e a aversão aos discursos de vendas 

Thiago cresceu e apareceu. Apresentou propostas e discursos ousados. Testou novos formatos de engajamento. Reuniu mais de 60 mil pessoas em suas lives às 5h da manhã. 

A ousadia trouxe a visibilidade. 

E quanto maior a ousadia, maior a polarização. Há quem goste e há quem não goste. Quem se identifique e quem não se identifique. E todos nós deveríamos conviver de forma confortável com esse fato. 

Com os resultados da visibilidade, também vem a autoconfiança em seus discursos. E dependendo da forma de falar, ela pode ser entendida como verdade absoluta. E a ideia de que alguém tem a verdade absoluta, incomoda. 

Muitos questionam o fato do Thiago ganhar dinheiro com a sua presença em palestras ou com os seus ensinamentos nos cursos.

À medida que há entrega de valor, há o ganho de reconhecimento. E quanto maior o conhecimento e o reconhecimento do seu nome, maior a confiança nele e maior o valor da sua marca no mercado. 

A maior demanda pelo seu nome, pode levar ao maior valor cobrado em suas palestras ou mesmo em seus produtos. E não há nada de errado nisso. 

Entretanto, muitos ainda veem a cobrança pelo acesso à marca como “contraditório” à autenticidade e ao “direito de ser um influenciador”. Como se a venda fosse algo relacionado a “segundas intenções” em um relacionamento que deveria ser genuíno e gratuito.

Quanto ao Thiago, há conteúdo online gratuito e um grande investimento na entrega de valor, consistentemente. O pensamento de que não deve haver cobrança de alto valor pelo acesso à sua marca ou conhecimento mais dedicado ou em maior escala, não faz sentido. 

Talvez com a saturação dos discursos de vendas online e da disseminação das fórmulas milagrosas (ou das palavras que insinuam os resultados milagrosos) a melhor solução seja cada vez mais o discurso aberto e o comportamento genuíno. Mesmo que de vez em quando ele vá “contra” as bíblias das fórmulas de lançamento. 

Por que não confiar nele? 

Sim, é inegável que com a polêmica há impacto na sua imagem online, já que as matérias online e o boca a boca sobre o que aconteceu não vem com manual de instrução. 

Mas acredito que não há impacto em sua reputação: aqueles que o seguem, continuarão – e provavelmente ainda com mais conexão e fidelidade – a seguí-lo. 

E esse é um sinal bom. Marcas fortes polarizam. 

Eu confio na marca Thiago Nigro, mesmo com os seus deslizes. 

Entendo que há boa intenção em suas ações. Entendo que os erros que cometeu são erros de qualquer ser humano, e não erros em relação ao que oferece ao seu público como marca. Não houve mentira, nenhuma incoerência de promessa ao público e muito menos nenhum dano. 

Tenho certeza de que ele seguirá entregando com ainda mais dedicação a sua missão aos seus primos e fortalecerá ainda mais a sua marca pessoal. 

E você? Também confia no Thiago?

Sobre Juliana Saldanha

Sou Estrategista em Personal Branding.
Tenho como missão te ajudar a posicionar-se no mercado e comunicar o seu valor de forma relevante e memorável.

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2 comentários

  1. Ju, não o sigo e prefiro não julgá-lo. Mas este acontecimento reforça uma escolha que fiz esta semana de ser tb o que acredito. Estava estimulando uma cliente a postar vídeos nas redes sociais falando dos seus produtos e depois de uma conversa com ela, me dei conta que EU não fazia vídeos pois ainda não me sentia pronta (e todas as desculpas que nos damos). Então criei um desafio de postar durante uma semana, um vídeo por dia. O primeiro fiz sem maquiagem ahhaha Estou no quarto dia. Acho que me sinto mais segura e confortável comigo e para meus clientes. Bjs

    1. Anna,
      Perfeita a sua colocação!
      Acho que esse é o principal ponto aqui né?
      Eu também fico mais atenta à coerência. Vamos aprendendo com esses cases!
      Obrigada pela mensagem!

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Sobre Juliana Saldanha
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